Cuidado / Cuidador familiar

11/02/2009 - 14:23 Por: Wanda Patrocinio

Categoria(s): Gerontologia

O exercício do papel no cuidado familiar refere-se ao cumprimento das normas sociais relativas aos deveres de retribuição social e de piedade filial. Envolve responder pelo idoso perante a família e a sociedade e tem inclusive implicações legais. Essa pessoa é responsável pelo idoso em seus impedimentos emocionais ou cognitivos e é responsável pela sua proteção e manutenção. É comum existir uma desvinculação entre o exercício do papel e das tarefas de cuidar.

O cuidado familiar primário é exercido por um parente que é o único ou o principal responsável pelos cuidados diretos ao idoso. A literatura gerontológica mostra que ele é geralmente uma mulher de meia-idade ou idosa, que é esposa, ou filha, ou nora do idoso. Quando filha, é preferencialmente a mais velha, geralmente casada, de meia-idade, e depois filha solteira ou viúva. Raramente, o cuidador primário é outro parente e mais raramente ainda é um homem.

Os membros da família que prestam cuidados básicos ou de vida prática de modo restrito, esporádico, ocasional ou intermitente são considerados cuidadores familiares secundários e terciários.

Segundo Santos (2003) essa classificação pode cumprir objetivos didáticos, mas não corresponde ao dia-a-dia das famílias cuidadoras, que arranjam formas alternativas de lidar com o cuidado. A autora fala em “dança do cuidado” para referir-se à alternância e à complementaridade de papéis, principalmente num contexto de escassos apoios profissionais. Os cuidadores familiares fazem parte da rede de suporte informal, constituída por membros da família, amigos, conhecidos e vizinhos, que atuam voluntariamente e sem pagamento. O fato de não incluir profissionais, marca a diferença entre ela e a rede de suporte formal.

Cuidados formais são aqueles prestados por profissionais, quer em domicílio, quer em instituições domiciliares, hospitalares ou as de curta permanência. Infelizmente, não dispomos no Brasil de redes formais de suporte de tamanho e qualidade suficientes para atender à demanda. As conseqüências negativas são a sobrecarga da família e do cuidador e o comprometimento da qualidade de vida dos idosos. Do lado positivo, ocorre uma mobilização das famílias e das organizações não-governamentais em prol da solidariedade intergeracional.

Retirado de Neri, Anita L. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. pág. 43-44

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